Entrevista: Pedro Costa
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Com Pedro Maciel Guimarães e Daniel Ribeiro
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Estúdio do realizador na Baixa Lisboeta
Tarde de 2ª feira, 29 de Outubro de 2007
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Pedro Maciel Guimarães:
Eu queria que falassemos um pouco sobre a questão dos géneros. Esses dois filmes No quarto da Vanda e Juventude em Marcha são obras que oscilam entre a ficção e o documentário. E seus outros filmes – com exceção de Onde jaz o teu sorriso – são puras ficções. Mesmo sabendo que a definição de cinema documentário é bastante ampla e abrange vertentes e maneiras de expressão bem diversas, o que significa para você ter uma retrospectiva integral num festival dedicado ao cinema documentário?
Pedro Costa:
Significa talvez que os organizadores não sabem o que é o documentário. O que é obvio, pois não se sabe bem o que é o documentario, ou a ficção. E tampouco é uma discussão interessante.
Talvez para o ensaista sim, mas para o cineasta não é, nunca me coloco essa questão se estou fazendo um documentário ou uma ficção. Essa é uma questão tão confusa que normalmente, nos apoios, pequenos, que me dão o governo português, eu tenho tido mais apoio da parte dos documentários.
E os apoios em dinheiro para os documentários são menores. E eu acabo fazendo, com o dinheiro do apoio dos documentarios, um filme maior, ou mais ambicioso do que o simples documentário considerado comumente.
Por isso para mim não existe essa divisão. Mesmo no caso do Onde jaz o teu sorriso é polêmico, se ele pode ser considerado documentário ou ficção. Eu acho que é ficção e com o tempo será cada vez mais ficcional. Quase ciência ficção.
Mas o No Quarto da Vanda, que as pessoas acham mais documental, só no apoio pedido ele foi considerado assim, porque na minha cabeça, nem na da Vanda, nem em ninguém no bairro. Era considerado talvez um retrato de um lugar onde se vivia umas certas pessoas em um certo momento.
Se isso é documentário… essa discussão é interessante para quem analisa, discute ou teoriza. Para o cineasta, essas divisões são prisões que alguns cineastas mais frágeis se deixam prender estúpidamente.
Eu já vi pequenos filmes documentários que, com um pouco mais de fogo, passariam a um estágio completamente diferente, talvez a ficção ou alguma outra altitude.
O documentário nunca foi um coisa que gostei, nunca vi, só há muito pouco tempo vi os clássicos, o Faherty, o Joris Ivens, Van der Keuken, meu interesse por um cineasta como o Van der Keuken sempre foi nulo, zero.
É um preconceito, claro que é. Mas quem passou anos a ser massacrado pelo John Ford não pode ter interesse por um tipo que vai filmar a realidade, de um povo não sei onde… esse filmes não me chegavam. Não chega…
Pedro Maciel Guimarães:
Você é autor de uma obra única no cinema mundial, Onde jaz o teu sorriso, pela novidade da iniciativa e pela maneira de abordar o ato de criação cinematográfica – no caso a montagem - de uma maneira ao mesmo tempo apaixonada e reservada. Qual a maior dificuldade em se fazer um filme que mostra o nascimento de um outro filme?
Para conferir a entrevista integral,
clique no arquivo pdf a seguir:
Ficha técnica:
Conceito e produção:
Catarina Simão ( Procur.arte)
Edição e montagem de CD audio:
Sílvio Rosado
Catarina Simão
Entrevistadores:
Pedro Maciel Guimarães
Daniel Ribeiro
Transcrição e adaptação da entrevista:
Pedro Maciel Guimarães e Catarina Simão
Agradecimento especial a :
Pedro Costa
Ricardo Matos Cabo
Pedro Aspahan
Marilà Dardot
Uma co-produção Procur.arte e
Associação Filmes de Quintal
Apoio :
Instituto do Cinema e Audiovisual / Ministério da Cultura Português

